Saúde na Mira: Roberto Souza cobra prestação de contas da empresa ISEG e exige rigor no atendimento da UPA

Em discurso contundente na 18ª sessão ordinária, realizada em 10 de julho, o vereador Roberto Souza subiu o tom contra a ISEG, empresa responsável pela prestação de serviços na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Simões Filho. Exibindo comprovantes no telão do plenário, o parlamentar denunciou o que classificou como um “verdadeiro absurdo”: a grave disparidade entre os repasses milionários feitos à empresa e a qualidade do serviço efetivamente entregue à população.

Repasses em Dia, Serviço em Falta

De acordo com o levantamento apresentado pelo vereador, a ISEG recebeu R$ 13.759.215,00 em menos de seis meses de atuação no município, com o repasse de R$ 2,4 milhões apenas no último mês. Roberto Souza fez questão de pontuar que a falha não está nos cofres públicos, isentando o Executivo e destacando que o prefeito Del cumpre os pagamentos rigorosamente em dia.

“O descumprimento está sempre por parte da empresa. O prefeito paga rigorosamente em dia, não atrasa um dia. A empresa ganha a licitação, que exige manutenção, reformas e investimentos, e depois fica chorando que não pode fazer. E o povo sofrendo, morrendo na UPA”, desabafou o parlamentar.

Metas Infladas e Falta de Especialistas

O núcleo da cobrança de Roberto Souza está no descumprimento das obrigações contratuais. Ele usou como exemplo a meta de 1.001 consultas ortopédicas especializadas. Segundo o vereador, a empresa estaria colocando médicos clínicos gerais para realizar o atendimento que deveria ser feito exclusivamente por especialistas com formação em ortopedia.

Outra denúncia grave levantada na tribuna foi a maquiagem dos dados de atendimento. O parlamentar rebateu a alegação da empresa de que teria ultrapassado as metas, explicando que a ISEG estaria computando retornos do mesmo paciente como novos atendimentos.

“O paciente tem uma recorrência, vai à emergência hoje e volta amanhã. Eles não podem computar isso duas ou três vezes, mas estão computando. Para acabar com isso, solicitei de maneira individualizada: quero o número do cartão do SUS, o dia exato em que o paciente foi atendido e a lista dos médicos especializados que estão atuando lá”, exigiu Roberto.

Ultimato à Secretaria de Saúde

Para o vereador, a Prefeitura precisa endurecer a fiscalização e aplicar glosas (retenção de pagamentos por serviços não executados). “Se ela não está prestando 100% do serviço, não se pode pagar 100%. Se cumpriu 30%, só recebe 30%. Eu quero saber por que não estão retendo parte desses pagamentos.”

Roberto Souza formalizou as cobranças enviando ofícios à Secretária de Saúde e deu um ultimato: 15 dias para que a pasta apresente soluções e explicações técnicas. Caso o prazo expire sem respostas satisfatórias, ele garantiu que dará prosseguimento a processos mais duros.

Lembrando o episódio com a antiga prestadora “Farmamed” — que deixou o município após forte pressão da Câmara —, o vereador prometeu não recuar até que a situação seja regularizada.

“Minha responsabilidade é fiscalizar, e eu vou para cima. Não vou admitir mais essa metralhadora virada para os vereadores, com o telefone tocando 24 horas por dia com pessoas implorando por regulação. Eu vou ficar batendo aqui até que a ISEG se corrija”, finalizou.

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